Clark realmente era um bom parceiro para a Lana?
Agora com o ressurgimento da série Smallville, fiquei me questionando: Em teoria, o Clark é uma pessoa decente, educada, com um senso de justiça forte e por aí vai. Mas sendo sincera, acredito que isso seja o básico a se esperar de qualquer pessoa em qualquer relação, seja amorosa ou de amizade.
Se nos aprofundarmos na dinâmica deles, fica claro que ele não soube transmitir segurança e confiança à Lana. E querendo ou não, o corpo percebe antes do intelecto quando há uma incongruência. Não tem como criar confiança em alguém que emite sinais ambíguos.
O corpo e a nossa intuição captam a linguagem não verbal. Clark podia até usar palavras doces, ser o bom moço prestativo da fazenda e salvá-la de tornados, mas a linguagem corporal dele emanava tensão, segredo e hesitação.
Essa incongruência gera o que a psicologia chama de dissonância cognitiva:
O intelecto tenta racionalizar: "Mas ele é tão bom, ele me salvou."
O corpo e o instinto alertam: "Tem algo muito errado aqui. Essa pessoa está escondendo algo."
Inconstância e "Quente e Frio"
O relacionamento com a Lana era um ciclo sem fim: Clark se aproximava, ela se abria, ele se assustava com o risco de revelar o próprio segredo, se afastava abruptamente e a rejeitava. Logo depois, ele ficava com ciúmes quando ela tentava seguir em frente com outra pessoa (como o Lex ou o Whitney).
Na vida real essa instabilidade emocional gera uma ansiedade absurda. Ninguém consegue ser feliz, se sentir seguro e calmo em um relacionamento onde parece que você está pisando em ovos, sem saber se a pessoa vai te acolher ou te dar um gelo no dia seguinte.
O "Gaslighting" Constante
O maior problema do Clark é a obsessão em manter o segredo a todo custo, mesmo quando a Lana já estava literalmente vendo coisas impossíveis acontecerem na frente dela, ele mentia olhando nos olhos dela. Quando ela questionava algo óbvio, ele a fazia duvidar da própria sanidade.
Na vida real viver com alguém que constantemente esconde a verdade e faz você se sentir louco por notar o óbvio destrói a autoestima de qualquer pessoa.
Idealização e projeções
Ele também idealizava ela em excesso, projetando uma fragilidade e incompetência nela. Percebemos isso ao observar como ele tenta evitar a qualquer custo que ela descobre do segredo dele. Relações que se baseiam primariamente em projeções e idealizações dificilmente abrem espaço para conhecer a pessoa genuinamente do jeito que ela é. No momento em que você idealiza alguém excessivamente, você nega a essa pessoa o direito de ser humana, de falhar, de ser forte e de ter complexidade. Por exemplo: Enquanto o Clark a via como frágil, a Lana passava a série inteira provando que aguentava o tranco. Quando ela finalmente descobriu a verdade (nas temporadas em que o segredo vem à tona por terceiros ou em linhas do tempo alternativas), ela não quebrou. Ela lidou com isso. Quem não conseguia lidar com as consequências da verdade era o próprio Clark.
O O sistema de nervoso e o paradoxo da Excitação e da Segurança
Por outro lado, considerando o sistema nervoso e o sistema de apego, um estilo de apego seguro é um sistema calmo (ou regulado), e não ansioso, hipervigilante ou preocupado. Nesse sentido, é apenas quando o sistema parassimpático está no comando que se torna possível sentir excitação.
O relacionamento de Clark e Lana vivia sob o comando do sistema simpático (luta ou fuga), gerando uma montanha-russa de ansiedade e picos de cortisol fantasiados de "paixão intensa".
Nesse sentido, existem dois tipos de "excitação" que confundimos muito:
A Excitação do Alarme (Simpático): É a faísca gerada pela ansiedade, pelo perigo, pelo medo da perda e pela imprevisibilidade. É o que o Clark e a Lana viviam. O sistema simpático deles estava sempre ativo (luta ou fuga). O "frio na barriga" que eles sentiam não era apenas paixão; era, realisticamente, o sistema nervoso em alerta.
A Excitação de Conexão (Parassimpático): Este é o estado de relaxamento social. É quando o corpo sabe que não precisa lutar nem fugir. É apenas quando o sistema parassimpático está ativo que conseguimos brincar, socializar e se entregar à intimidade sexual e afetiva de forma plena e vulnerável.
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