A mente, sempre um passo a frente
A mente tem a capacidade de estar passos a frente do corpo. É capaz de fantasiar. No entanto, na prática, o corpo nem sempre acompanha o ritmo da mente. Pense em um salto mortal: é fácil se imaginar executando o movimento com perfeição, mas, na prática, o corpo dificilmente responderia com a mesma precisão de primeira. Isso ocorre porque o corpo exige exposição e repetição para se adaptar...
O Neurocientista Álvaro Pascual-Leone (1995) conduziu um experimento clássico em que colocou três grupos para aprender uma sequencia no piano. Um grupo treinou fisicamente, outro apenas imaginou mentalmente a execução dos movimentos, e o terceiro não treinou. Ao mapear a área do córtex motor ligada aos dedos usando Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), Pascual-Leone descobriu que a reorganização neural do grupo que apenas imaginou foi praticamente idêntica à do grupo que praticou fisicamente.
Mas só porque o grupo que imaginou tocar o piano acionou as mesmas regiões que o grupo que de fato praticou, não significa que eles saberiam tocar piano na prática.
O cérebro precisa da prática para poder se adaptar - o que chamamos de circuito de feedback sensório-motor. Na imaginação, não há margem de erro, pois a mente tende a idealizar. Enquanto isso, algumas estruturas do SN bloqueiam impulsos motores elétricos antes que eles cheguem aos músculos. É por isso que a imaginação não leva ao movimento em primeiro lugar.
Ainda assim, é um dado valioso, pois mostra como os pensamentos e a imaginação moldam o cérebro.
É possível utilizar a imaginação para se preparar, porém, de forma menos idealizada.
Um exemplo prático (Técnica de Visualização mental): Lana quer se aproximar de um colega, mas sabe que tende a ficar nervosa. Ela decide visualizar a interação e, em vez de fantasiar um desfecho perfeito, inclui a própria ansiedade na cena, mantendo-se presente do início ao fim. Imaginando cenas como essas, o cérebro se adapta ao nervosismo antes da experiência real, recalibrando as expectativas para uma experiencia mais realista e menos assustadora.
Essa técnica mostra a importância de sempre voltar para o momento presente. A ansiedade, como neste caso, não precisa ser um obstáculo invencível. Na idealização da Lana, ela fala com fluência, não fica tímida e não sente ansiedade. Na realidade, ela ainda precisa aprender a lidar com a ansiedade social.
Se a imaginação for usada apenas para alimentar idealizações, a realidade inevitavelmente se tornará uma fonte de frustração. Por outro lado, ao reconhecer nossos limites e emoções no processo, transformamos a mente em uma aliada do corpo.
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